Lei de Murphy
Sexta-feira foi desses dias em que tudo deu errado.
Eu tive uma noite do cão. E tudo para tentar tomar uma cerveja sossegado.
Sem falar no trabalho durante o dia que foi um inferno. Impressora dando pau, correria para entregar correspondências, fax não funcionando direito, e tudo precisando ser feito para ontem. Você tem uma vaga idéia, tenho certeza. Fui na faculdade e não encontrei com a Adriana que está com o meu livro mais importante para a minha monografia. Que foda!
Encontrei foi com o Léo. Ele ia a uma festa na casa de uma amiga lésbica. Eu ia tomar uma cerva no bar do careca, com a D. Paula, Diguim e D. Ana. Furou. Encontrei o Léo e fiz a pergunta fatídica: posso ir?
- Vambora! E depressa, pois a festa é sem ficha e já tá rolando.
Caso vc não saiba o que é uma festa "sem ficha", eu explico. É daquelas raras nos dias de hoje, onde vc não paga nada para beber, comer e se divertir. Estão em extinção.
Pelo menos, beber cerveja sossegado, rolava. E além disso, conhecia uma amiga do Léo que ia e que era gente boa. Sabe como é? não era bonita, não era feminina e não era mulher, no amplo sentido da palavra, era "gente boa".
Antes, fui tirar dinheiro no único caixa eletrônico das redondezas. Tava estragado.
- Tenho cheque, qualquer coisa quebra o galho!
Fomos para o lugar.
E que lugar. O apê era pequenérrimo e caindo aos pedaços. O reboco parecia ter sido feito na época de inauguração da Babilônia. E tava caindo. A luz não iluminava porra nenhuma. E só tinha gente esquisita. Festa estranha com gente esquisita.
Não tenho nada contra lésbicas. Mas tudo contra aquelas lésbicas. A dona da casa, além de ser uma das mulheres mais horrorosas que já vi na vida, gostava de falar alto, dançar com os braços abertos, e abraçar a todos, nós inclusive. Suada. Com um bafo medonho. Coçava o saco e cantava as outras que ali estavam. Tinha um cara além de mim e do Léo, que não disse nada, e que de tão alucinado via-maconha, olhava para o infinito. As outras garotas, até eram bonitas, mas pareciam estar incomodadas com a nossa presença. Mas ninguém estava mais incomodado do que eu. O Léo já foi sentando e mandando todo mundo tomar no cu, com aquela sutileza que lhe é típica.
Cerveja, pelamordedeus! pensava cá comigo.
-Toma zee!
O Léo me passou a garrafa, mas não tinha copo, e eu tinha que dividí-la com ele. No gargalo. Pensava em Seinfeld nessa hora. Ele, com certeza, nunca dividiria cerveja com ninguém bebendo no gargalo.
-Foda-se, é de graça!
Desgraça mesmo era uma metidinha que impunha o som para a gente ouvir. Sempre que eu tentava colocar alguma coisa decente, ou indicar alguma coisa, lá vinha a desgramada para colocar forró.
Aguentamos o quanto pudemos: até a cerveja acabar. O que não custou muito.
Sacamos que não era para a gente estar ali, pois parecia que uma suruba, ao qual a gente não tinha sido convidado, estava prestes a acontecer. Picamos a mula tentando decidir para onde ir. Afinal estava cedo e a gente ainda tinha sede. O Léo já tava tonto. Depois me confessou ter bebido uma garrafa de vinho em casa sozinho, e tomado umas cervas antes de me encontrar. Eu tava são. E puto.
Sentamos num buteco lá perto e tinha uma placa escrito:
"Hoje, não aceitamos cheque."
Que legal. Fui num posto para tentar sacar uma grana. Não rolava. Fomos no banco 24 horas. Tava fechado. Andamos demais e não resolvemos nada. E nenhum buteco da redondeza aceitava cheque.
E o pior é que a anta do Léo tava sem um tostão no bolso. Não tinha grana nem pro ônibus e tinha esquecido de pedir para a amiga "gente boa" que, detalhe, tinha sido assaltada no caminho para a festa e não tava a fim de papo com ninguém. Que imbecil. O Léo, quero dizer.
Eu só tinha a grana do ônibus pra mim.
Resultado, pegamos um táxi para eu pagar no cheque e levar a donzela em casa. É claro que o fiz prometer me pagar depois tudo.
Ao chegar em casa, dei graças a Deus por chegar inteiro depois da noite horripilante que tive. Parecia aquele filme "depois de horas" do Martin Scorcese em que um cara só entra em roubada a noite inteira. Se livra de uma para entrar em outra. Essa tal de lei de Murphy é uma merda mesmo. Esse Murphy deve ter sido assassinado. Se num foi, eu mato ele!
Nenhum comentário:
Postar um comentário