Quanto mais eu rezo, mais fantasma aparece. Eu não tive sossego esse ano. Se no ano passado foi um inferno, esse ano será um outro nível infernal. Dante descreveu sete, se não me engano. Ou seja, tô fudido.
Minha sanidade está se espremendo na minha cabeça. Não vejo o fim do túnel já tem uns três meses. E a merda tá boiando em volta. Que saco!
E eu estou puto com o lance dos Strokes.
Depois eu explico.
quinta-feira, fevereiro 28, 2002
Estive doente por um tempo. Não rolou de fazer nada, só ficar na cama tomando sopa de canudinho. Por isso o Blog ficou ao deusdará.
Estou retornando com o link para o blog da D. Paula, o "antônimos". Por ela ter ficado um tempo sem escrever nada, eu tirei. Mas agora ela já está na sua melhor forma. Vai fundo D. Paula!
Parece que furou a entrevista que eu ia dar para uma TV sobre a revista do Batman que está sendo lançada no Brasil, "Cavaleiro das Trevas-2". Mais sobre o assunto em breve.
Estou retornando com o link para o blog da D. Paula, o "antônimos". Por ela ter ficado um tempo sem escrever nada, eu tirei. Mas agora ela já está na sua melhor forma. Vai fundo D. Paula!
Parece que furou a entrevista que eu ia dar para uma TV sobre a revista do Batman que está sendo lançada no Brasil, "Cavaleiro das Trevas-2". Mais sobre o assunto em breve.
sexta-feira, fevereiro 22, 2002
Pola,
Você é uma das pessoas mais autênticas e verdadeiras que conheço.
Não se deixe levar pela insensibilidade reinante no mundo. Somos sujeitos a toda estupidez humana. Foram anos de evolução para chegarmos a essa bestialidade. Tem muita gente boa por aí, graças a Deus, senão "nós tava fudido". Não perca esse (mau)humor que eu curto tanto. Eu e um monte de gente. Você é duca e ninguém lhe pode tirar isso.
Estou com um suposto texto de Shakespeare chamado "Aprender". Digo suposto pois não vejo porquê Shakespeare possa ter escrito isso. Parece coisa de auto-ajuda. E antes que você pense algo: EU NÃO LEIO AUTO-AJUDA!!!
Mas não é que tem umas coisas interessantes:
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você importe, algumas pessoas não importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá o resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Será que William Shakespeare escreveu isso mesmo?
Tem a ver com momento que muita gente que eu conheço está passando por aí. Eu inclusive.
Mas não é que tem umas coisas interessantes:
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você importe, algumas pessoas não importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá o resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Será que William Shakespeare escreveu isso mesmo?
Tem a ver com momento que muita gente que eu conheço está passando por aí. Eu inclusive.
quinta-feira, fevereiro 21, 2002
Sobre a formatura, tenho de falar sobre o discurso que o meu amigo e orador da turma fez.
Discursos de colação são sempre um saco. Aliás, colações são um saco. Essa não foi diferente, afinal tocar o Hino à Bandeira no meio da coisa não tem muito sentido. Tá certo que o hino Nacional deva ser tocado, mas o da Bandeira...
Bem, no discurso, o Flávio não deixou pedra sobre pedra. Deu um baita tapa de luvas no idiota do reitor e mostrou a muitos ali o verdadeiro sentido do jornalismo. Foi do caralho. Vou pedir para ele a cópia do discurso para publicar aqui e vocês vão entender o que estou falando.
Tá certo que tem um pouco de idealismo.
Mas sem isso, como é que alguém sai da faculdade de bem com a vida?
Então foi muito bom. Valeu, Flávio!
Discursos de colação são sempre um saco. Aliás, colações são um saco. Essa não foi diferente, afinal tocar o Hino à Bandeira no meio da coisa não tem muito sentido. Tá certo que o hino Nacional deva ser tocado, mas o da Bandeira...
Bem, no discurso, o Flávio não deixou pedra sobre pedra. Deu um baita tapa de luvas no idiota do reitor e mostrou a muitos ali o verdadeiro sentido do jornalismo. Foi do caralho. Vou pedir para ele a cópia do discurso para publicar aqui e vocês vão entender o que estou falando.
Tá certo que tem um pouco de idealismo.
Mas sem isso, como é que alguém sai da faculdade de bem com a vida?
Então foi muito bom. Valeu, Flávio!
Ressaca. Sono. Fome.
Aquele estado de zumbi. Suas pálpebras se fechando sem o seu consentimento. Tenta ignorar o problema de trabalhar sem saber ao certo o que faz, pois a chapação se encarregou de esquecê-lo. Não entende direito o que os outros dizem. Olha o relógio a cada cinco minutos e o tempo não passa.
-ET, minha cama, ET, minha cama.
Você se arrepende daquela terceira tequila. De ter dançado aquela música idiota como se fosse a melhor coisa do mundo.
Mas afinal, tudo vale. Foda-se.Foi bom enquanto durou.
Aquele estado de zumbi. Suas pálpebras se fechando sem o seu consentimento. Tenta ignorar o problema de trabalhar sem saber ao certo o que faz, pois a chapação se encarregou de esquecê-lo. Não entende direito o que os outros dizem. Olha o relógio a cada cinco minutos e o tempo não passa.
-ET, minha cama, ET, minha cama.
Você se arrepende daquela terceira tequila. De ter dançado aquela música idiota como se fosse a melhor coisa do mundo.
Mas afinal, tudo vale. Foda-se.Foi bom enquanto durou.
quarta-feira, fevereiro 20, 2002
Eu ia escrever alguma coisa marcante para os meus amigos que estão colando grau hoje.
Mas daí, pensei que ia ser muito melodramático, e eu estou cansado de ser melodramático.
Existem coisas que a gente não precisa dizer.
Basta saber.
E ao longo deste tempo de faculdade, eles sabem de mim. O que penso, como sou e o que desejo para cada um. E isso é inestimável.
Bem, pelo menos eu acho que seja.
Mas daí, pensei que ia ser muito melodramático, e eu estou cansado de ser melodramático.
Existem coisas que a gente não precisa dizer.
Basta saber.
E ao longo deste tempo de faculdade, eles sabem de mim. O que penso, como sou e o que desejo para cada um. E isso é inestimável.
Bem, pelo menos eu acho que seja.
terça-feira, fevereiro 19, 2002
Sexta saí na companhia de três gatas, Ana, Carol e Lú. Fomos tomar umas e outras num bar que não tinha placa mas parecia ser legal. Poucas vezes fui tão bem atendido num barzinho.
O estranho no lugar era uma jukebox moderna que estava desligada bem no meio do bar. Perguntei para o garça quanto era a ficha e ele disse que não funcionava. Acontece que a máquina era mantida por um cara, não era do bar, e o cara sumiu, desapareceu. Ninguém sabe dele. Existem diversos estabelecimentos com o mesmo equipamento não funcionando, pois só o cara sabe ligar o negócio.
E agora? Não há música para diversos famintos por diversão em vários bares na madrugada. Ninguém percebe a gravidade da situação. Chamem a polícia federal para resolver o caso! Será que ele foi sequestrado por uma facção musical que exige a presença de determinadas músicas nas jukebox?
-Exigimos que você coloque músicas do ABBA e do Bee Gees.
-Tudo bem. Eu até suporto.
-E Engenheiros do Hawaii.
-Não dá... pelo amor de Deus, Engenheiros não... Tá bem, eu coloco.
-E Dires Straights
-Não, isso não, tudo menos isso....
-E Axé Musics.
-Não, não...nnnnnnnããããããããããããooooooooo!!!!!
O estranho no lugar era uma jukebox moderna que estava desligada bem no meio do bar. Perguntei para o garça quanto era a ficha e ele disse que não funcionava. Acontece que a máquina era mantida por um cara, não era do bar, e o cara sumiu, desapareceu. Ninguém sabe dele. Existem diversos estabelecimentos com o mesmo equipamento não funcionando, pois só o cara sabe ligar o negócio.
E agora? Não há música para diversos famintos por diversão em vários bares na madrugada. Ninguém percebe a gravidade da situação. Chamem a polícia federal para resolver o caso! Será que ele foi sequestrado por uma facção musical que exige a presença de determinadas músicas nas jukebox?
-Exigimos que você coloque músicas do ABBA e do Bee Gees.
-Tudo bem. Eu até suporto.
-E Engenheiros do Hawaii.
-Não dá... pelo amor de Deus, Engenheiros não... Tá bem, eu coloco.
-E Dires Straights
-Não, isso não, tudo menos isso....
-E Axé Musics.
-Não, não...nnnnnnnããããããããããããooooooooo!!!!!
Alguém aí me explica isso:
Eu tenho um meiaumcinquentaeoito que recebe mensagens e tudo.
E aquele cinquentaenovevinte é pequeno e uma graça né?
Ah não! Eu gosto é do quatromeiadezenove. Esse sim é bom.
Eu tinha um quatromeiacinquenta e troquei por um meiameiavintecinco. Bem melhor.
Eu não entendo bulhufas sobre celulares. E não entendo esses diálogos que as pessoas têm. É tudo codificado. Você com certeza já ouviu ou teve diálogos assim. Para mim é a coisa mais estranha do mundo.
Eu acho que mesmo se alguém conseguir me explicar, eu vou continuar achando estranho.
Eu tenho um meiaumcinquentaeoito que recebe mensagens e tudo.
E aquele cinquentaenovevinte é pequeno e uma graça né?
Ah não! Eu gosto é do quatromeiadezenove. Esse sim é bom.
Eu tinha um quatromeiacinquenta e troquei por um meiameiavintecinco. Bem melhor.
Eu não entendo bulhufas sobre celulares. E não entendo esses diálogos que as pessoas têm. É tudo codificado. Você com certeza já ouviu ou teve diálogos assim. Para mim é a coisa mais estranha do mundo.
Eu acho que mesmo se alguém conseguir me explicar, eu vou continuar achando estranho.
Ontem eu fiz uma das coisas mais difíceis da minha vida. Desisti de várias amizades para não gerar mais problemas. Tinha desistido de ir à colação da sala. Tinha decidido não mais encontrar com meus amigos lá ou qualquer outro lugar.
Estava sem forças, derrotado. E por mais que eu goste deles, achei que o melhor seria me afastar para não causar problemas.
É claro que eu fui um imbecil. Não há nenhuma razão no mundo para que se estrague o que eu prezo tanto. A amizade. É brega mas é isso mesmo.
Amizades são para a vida inteira. Perder amigo é perder um mundo inteiro. Quantas vezes que por tolices perdemos amizades. Às vezes tentamos recuperá-las, mas é foda. Nunca é a mesma coisa.
Fica aquela mágoa. Aquele rancor.
Eu não quero isso. Vou lá sim, Pela D. Paula, pela Sá, pelas Marrôs, rever o Kahoona,tomar uma com o precioso (acho que ele nunca bebeu na vida), Von, Elisa, João, Zubra, Júlia, Les Paul, Flávio..., por mim.
Estava sem forças, derrotado. E por mais que eu goste deles, achei que o melhor seria me afastar para não causar problemas.
É claro que eu fui um imbecil. Não há nenhuma razão no mundo para que se estrague o que eu prezo tanto. A amizade. É brega mas é isso mesmo.
Amizades são para a vida inteira. Perder amigo é perder um mundo inteiro. Quantas vezes que por tolices perdemos amizades. Às vezes tentamos recuperá-las, mas é foda. Nunca é a mesma coisa.
Fica aquela mágoa. Aquele rancor.
Eu não quero isso. Vou lá sim, Pela D. Paula, pela Sá, pelas Marrôs, rever o Kahoona,tomar uma com o precioso (acho que ele nunca bebeu na vida), Von, Elisa, João, Zubra, Júlia, Les Paul, Flávio..., por mim.
sexta-feira, fevereiro 15, 2002
Vou tentar não ser intransigente. Abrirei minha cabeça como um melão e tentarei enfiar cotonetes de boas safras para tentar ser o mais compreensivel que puder.
Mas olhe só. Não há como a gente fugir do que a gente é. E mudanças de comportamento não ocorrem de uma hora para outra.
É que um amigo meu pisou na bola feio. Deu digamos, uma escorregada.
Normalmente, eu sendo intransigente, nem olharia na cara dele.
Mas, como tudo nesse mundo é conversado, eu posso ser um pouco menos estúpido.
É um caso a se pensar pois amizades não florescem em árvores. Vou pensar a respeito.
Mas olhe só. Não há como a gente fugir do que a gente é. E mudanças de comportamento não ocorrem de uma hora para outra.
É que um amigo meu pisou na bola feio. Deu digamos, uma escorregada.
Normalmente, eu sendo intransigente, nem olharia na cara dele.
Mas, como tudo nesse mundo é conversado, eu posso ser um pouco menos estúpido.
É um caso a se pensar pois amizades não florescem em árvores. Vou pensar a respeito.
Uma parte da letra de Lust fo Life do Iggy Pop. Revi a poucos dias o filme com um dos melhores começos de todos os filmes que já vi. Trainspotting.
Here comes Johnny Yen again
With the liquor and drugs
And the flesh machine
He's gonna do another strip tease.
Hey man, where'd ya get that lotion?
I've been hurting since I've bought the gimmick
about something called love
Yeah, something called love.
Ao som de Iggy, Rentom e Spud correndo da polícia:
"Escolha a vida. Escolha um trabalho. Escolha uma carreira. Escolha uma família, escolha uma televisão grande do caralho, escolha máquinas de lavagem, carros, cd players, e abridores de lata elétricos.
Escolha boa saúde, o cholesterol baixo e o seguro dental. Escolha uma casa. Escolha seus amigos.
Escolha a roupa de lazer e a bagagem combinando. Escolha uma suite de três quartos para comprar em Hire com telhas do caralho. Escolha DIY e querer saber quem você é em uma manhã de domingo. Escolha seu futuro. Escolha a vida.
Eu escolhi não escolher a vida: Eu escolhi algo mais. E as razões? Não há nenhuma razão. Quem necessita de razões quando você tem heroína?"
Here comes Johnny Yen again
With the liquor and drugs
And the flesh machine
He's gonna do another strip tease.
Hey man, where'd ya get that lotion?
I've been hurting since I've bought the gimmick
about something called love
Yeah, something called love.
Ao som de Iggy, Rentom e Spud correndo da polícia:
"Escolha a vida. Escolha um trabalho. Escolha uma carreira. Escolha uma família, escolha uma televisão grande do caralho, escolha máquinas de lavagem, carros, cd players, e abridores de lata elétricos.
Escolha boa saúde, o cholesterol baixo e o seguro dental. Escolha uma casa. Escolha seus amigos.
Escolha a roupa de lazer e a bagagem combinando. Escolha uma suite de três quartos para comprar em Hire com telhas do caralho. Escolha DIY e querer saber quem você é em uma manhã de domingo. Escolha seu futuro. Escolha a vida.
Eu escolhi não escolher a vida: Eu escolhi algo mais. E as razões? Não há nenhuma razão. Quem necessita de razões quando você tem heroína?"
Para recitar em voz alta, andando nas ruas de madrugada, puto e embriagado.
Simintibaia
Simintibaia é um conjunto de trinta países latino americanos fudidos, mal pagos e que devem até a alma.
um dois três
um dois três é um termo.
um dois três é um termo que cabe.
pois sou um latino fudido, mal pago e que deve até a alma.
um dois três é um termo que me cabe
Simintibaia
Simintibaia é um conjunto de trinta países latino americanos fudidos, mal pagos e que devem até a alma.
Eu não consigo pegar táxi.
Ele não cabe no meu bolso.
Pois sou um latino fudido, mal pago e que deve até a alma.
um dois três é um termo que me cabe
Um termo que me cabe até a alma
Simintibaia
Simintibaia é um conjunto de trinta países latino americanos fudidos, mal pagos e que devem até a alma.
um dois três
um dois três é um termo.
um dois três é um termo que cabe.
pois sou um latino fudido, mal pago e que deve até a alma.
um dois três é um termo que me cabe
Simintibaia
Simintibaia é um conjunto de trinta países latino americanos fudidos, mal pagos e que devem até a alma.
Eu não consigo pegar táxi.
Ele não cabe no meu bolso.
Pois sou um latino fudido, mal pago e que deve até a alma.
um dois três é um termo que me cabe
Um termo que me cabe até a alma
quinta-feira, fevereiro 14, 2002
E eu no convite.
Saí com um cigarro na boca no convite de formatura. Minha mãe horrorizou.
Não sacou a princípio que era uma brincadeira. Pô, nós fumantes temos de comprar cigarro com aquelas fotos horrorosas anti-tabagistas e eu não posso tirar foto fumando para uma formatura da qual não participarei? Sejamos politicamente incorretos de vez em quando.
E nos meus agradecimentos eu fui bem tranquilo. Podia ter agradecido ao Ozzy, ao Monty Python, a Hanna & Barbera e a Dostoyevski, só para citar alguns, mas não o fiz. Depois que vi, fiquei pensando em quem a gente deve agradecer:
"Eu não agradeço a ninguém, só a mim, por ter aturado essa merda durante esse tempo e por ter ralado para pagar essa educação medíocre. Obrigado a mim."
"Eu agradeço a maçaneta da porta, pois sem ela, eu nunca conseguiria sair de casa para poder completar os meus estudos. Dá-lhe maçaneta."
Saí com um cigarro na boca no convite de formatura. Minha mãe horrorizou.
Não sacou a princípio que era uma brincadeira. Pô, nós fumantes temos de comprar cigarro com aquelas fotos horrorosas anti-tabagistas e eu não posso tirar foto fumando para uma formatura da qual não participarei? Sejamos politicamente incorretos de vez em quando.
E nos meus agradecimentos eu fui bem tranquilo. Podia ter agradecido ao Ozzy, ao Monty Python, a Hanna & Barbera e a Dostoyevski, só para citar alguns, mas não o fiz. Depois que vi, fiquei pensando em quem a gente deve agradecer:
"Eu não agradeço a ninguém, só a mim, por ter aturado essa merda durante esse tempo e por ter ralado para pagar essa educação medíocre. Obrigado a mim."
"Eu agradeço a maçaneta da porta, pois sem ela, eu nunca conseguiria sair de casa para poder completar os meus estudos. Dá-lhe maçaneta."
Minha Turma da faculdade está se formando e eu não.
Atrasei em um semestre a formatura. Mas por insistência dos meus amigos, participei do convite. Aliás foi o convite mais do cacete que já vi. Estou sendo um tanto quanto melodramático aqui mas foda-se. Tá foda ver algumas das pessoas que mais amo no mundo se formando e eu não estar lá com eles. E eu não aguento mais ir naquela merda de faculdade. Vou ficar com saudades da turma. Tá certo que a maioria dos que são meus amigos também não tá formando. A gente preferia ir no buteco a assistir algumas aulas. Normal e sem arrependimentos. Afinal, a faculdade é mais que uma sala de aula. Não falei que estava sendo melodramático?
Vamos ver como vai ser a colação.
Atrasei em um semestre a formatura. Mas por insistência dos meus amigos, participei do convite. Aliás foi o convite mais do cacete que já vi. Estou sendo um tanto quanto melodramático aqui mas foda-se. Tá foda ver algumas das pessoas que mais amo no mundo se formando e eu não estar lá com eles. E eu não aguento mais ir naquela merda de faculdade. Vou ficar com saudades da turma. Tá certo que a maioria dos que são meus amigos também não tá formando. A gente preferia ir no buteco a assistir algumas aulas. Normal e sem arrependimentos. Afinal, a faculdade é mais que uma sala de aula. Não falei que estava sendo melodramático?
Vamos ver como vai ser a colação.
Foi o carnaval mais tranquilo de toda a minha vida.
Fui para um sítio onde o que mais fiz foi ler, assistir filmes, ver a natureza, e tomar umas e outras.
Fugi um pouco da lama. Dei um tempo nas neuroses.
E nunca me senti tão sozinho. Mas não foi ruim. A gente precisa lidar com a solidão de vez em quando e desta vez foi legal. Apesar de estar com diversas pessoas no sítio, me senti muito só. E foi isso o meu carnaval.
Fui para um sítio onde o que mais fiz foi ler, assistir filmes, ver a natureza, e tomar umas e outras.
Fugi um pouco da lama. Dei um tempo nas neuroses.
E nunca me senti tão sozinho. Mas não foi ruim. A gente precisa lidar com a solidão de vez em quando e desta vez foi legal. Apesar de estar com diversas pessoas no sítio, me senti muito só. E foi isso o meu carnaval.
sexta-feira, fevereiro 08, 2002
Eu estou mais conformado com o fato de passar o carnaval em casa.
Tentarei não assistir aos programas que mostram flashes dos bailes de carnaval.
Eu fico deprimido com aquilo. Não, eu não queria estar lá, não é isso. Eu não quero é estar em casa assistindo TV. É ridículo aqueles repórteres entrevistando os famosos na gandaia. O pessoal todo bêbado, se esfregando, suando em bicas, pelados e quase trepando com todo mundo e o mané do repórter lá, tendo de entrevistar aquelas gostosas seminuas sem poder fazer nada:
-Tá curtindo muito a festa?
- O quê? eu não estou escutando!
-O BAILE?
-SSSIIIIIIIIMMMMMMM!!!!!
E pensar que o cara fez faculdade de jornalismo para isso.
Tentarei não assistir aos programas que mostram flashes dos bailes de carnaval.
Eu fico deprimido com aquilo. Não, eu não queria estar lá, não é isso. Eu não quero é estar em casa assistindo TV. É ridículo aqueles repórteres entrevistando os famosos na gandaia. O pessoal todo bêbado, se esfregando, suando em bicas, pelados e quase trepando com todo mundo e o mané do repórter lá, tendo de entrevistar aquelas gostosas seminuas sem poder fazer nada:
-Tá curtindo muito a festa?
- O quê? eu não estou escutando!
-O BAILE?
-SSSIIIIIIIIMMMMMMM!!!!!
E pensar que o cara fez faculdade de jornalismo para isso.
quinta-feira, fevereiro 07, 2002
Trilha sonora do dia.
Definitivamente "No fun" - Stooges.
Eu estou querendo bater em alguém.
Ninguém especificamente. Não sou violento.
É só mau humor.
Estou ficando puto com algumas pessoas. Elas realmente estão conseguindo me irritar.
E para piorar, não viajarei nesse carnaval.
Não sou nenhum folião. Só queria estar o mais longe possível daqui.
Isso não resolveria nada, provavelmente, mas já seria alguma coisa.
Eu sou um especialista em perda de tempo. Descobri isso hoje.
Vou dar um curso: Administração eficaz da perda de tempo.
Saiba como perder seu tempo o mais precisamente possível.
"No fun, my baby, no fun."
Definitivamente "No fun" - Stooges.
Eu estou querendo bater em alguém.
Ninguém especificamente. Não sou violento.
É só mau humor.
Estou ficando puto com algumas pessoas. Elas realmente estão conseguindo me irritar.
E para piorar, não viajarei nesse carnaval.
Não sou nenhum folião. Só queria estar o mais longe possível daqui.
Isso não resolveria nada, provavelmente, mas já seria alguma coisa.
Eu sou um especialista em perda de tempo. Descobri isso hoje.
Vou dar um curso: Administração eficaz da perda de tempo.
Saiba como perder seu tempo o mais precisamente possível.
"No fun, my baby, no fun."
quarta-feira, fevereiro 06, 2002
Hoje na sessão Nostalgia, o filme: CARTA DO PASSADO
O horror da guerra o assombrava. Via a morte se aproximando a cada dia, a cada bombardeio que ouvia. Seus amigos e companheiros caíam ensanguentados e ele, sem nada poder fazer, rezava pela sua vida, pela sua família que estava longe. O jovem Edgar ficava assustado com os ataques audaciosos dos alemães que se aproximavam do front de batalha.
Buscava algum alento. Quando recebia cartas de casa, passava as horas livres as respondendo com um fio de esperança de poder receber outras. Fantasiava seu retorno a essas terras. Recordava de tudo e de todos. Se em suas cartas, os familiares contavam sobre pessoas que conheceram ou encontraram na sua ausência, escrevia para estas também, para aumentar as chances de não cair na insanidade que lhe cercava. Foi assim que um dia, escreveu para uma jovem que nunca vira. Escreveu com a esperança de um dia poder conhecê-la.
Seus familiares falavam sobre ela nas cartas. Ele não deixara nenhuma garota o esperando. Se arrependia disso. Pelo menos poderia ter um porque lutar. Porque sobreviver. Tentara escrevendo para aquela jovem, corrigir tal erro.
Na carta apenas pedia para ela responder, mesmo que fosse para lhe negar a confiança.
Os dias passavam, outras cartas chegavam, e nenhuma era a resposta aguardada.
Um dia pôde retornar para essas terras, mas nunca procurou pela garota para quem tinha escrito. Achava que ela tinha sido indelicada para se dizer o mínimo. Mas estava feliz por estar em casa e aquilo não lhe causou peso.
A carta que enviou só hoje, 57 anos depois, chegou às mãos de sua destinatária. Aconteceu que a irmã dela lhe escondera a carta por todo esse tempo. Talvez por inveja ou ciúme. Na verdade não há razão ou sentido para tal ato. Uma pergunta que não poderá sequer ser feita pois a irmã morrera.
Aquela garota, hoje uma senhora viúva, avó de dois netos, não quer ler a carta e nem quer tocar no assunto. Não quer pensar no passado, em como sua vida poderia ter sido. Arrependimentos, depois de certa idade, podem ser muito dolorosos.
Essa senhora é minha mãe.
E isso aconteceu mesmo. Parece até o enredo de um filme de mil novecentos e antigamente.
Estou pensando em devolver a carta para o tal soldado se ele estiver vivo hoje.
Mas essa história é muito louca. A minha tia foi uma das pessoas mais detestáveis que conheci. Ela nunca gostou de mim e nem eu dela. Ela deve ter ido direto pro inferno.
O horror da guerra o assombrava. Via a morte se aproximando a cada dia, a cada bombardeio que ouvia. Seus amigos e companheiros caíam ensanguentados e ele, sem nada poder fazer, rezava pela sua vida, pela sua família que estava longe. O jovem Edgar ficava assustado com os ataques audaciosos dos alemães que se aproximavam do front de batalha.
Buscava algum alento. Quando recebia cartas de casa, passava as horas livres as respondendo com um fio de esperança de poder receber outras. Fantasiava seu retorno a essas terras. Recordava de tudo e de todos. Se em suas cartas, os familiares contavam sobre pessoas que conheceram ou encontraram na sua ausência, escrevia para estas também, para aumentar as chances de não cair na insanidade que lhe cercava. Foi assim que um dia, escreveu para uma jovem que nunca vira. Escreveu com a esperança de um dia poder conhecê-la.
Seus familiares falavam sobre ela nas cartas. Ele não deixara nenhuma garota o esperando. Se arrependia disso. Pelo menos poderia ter um porque lutar. Porque sobreviver. Tentara escrevendo para aquela jovem, corrigir tal erro.
Na carta apenas pedia para ela responder, mesmo que fosse para lhe negar a confiança.
Os dias passavam, outras cartas chegavam, e nenhuma era a resposta aguardada.
Um dia pôde retornar para essas terras, mas nunca procurou pela garota para quem tinha escrito. Achava que ela tinha sido indelicada para se dizer o mínimo. Mas estava feliz por estar em casa e aquilo não lhe causou peso.
A carta que enviou só hoje, 57 anos depois, chegou às mãos de sua destinatária. Aconteceu que a irmã dela lhe escondera a carta por todo esse tempo. Talvez por inveja ou ciúme. Na verdade não há razão ou sentido para tal ato. Uma pergunta que não poderá sequer ser feita pois a irmã morrera.
Aquela garota, hoje uma senhora viúva, avó de dois netos, não quer ler a carta e nem quer tocar no assunto. Não quer pensar no passado, em como sua vida poderia ter sido. Arrependimentos, depois de certa idade, podem ser muito dolorosos.
Essa senhora é minha mãe.
E isso aconteceu mesmo. Parece até o enredo de um filme de mil novecentos e antigamente.
Estou pensando em devolver a carta para o tal soldado se ele estiver vivo hoje.
Mas essa história é muito louca. A minha tia foi uma das pessoas mais detestáveis que conheci. Ela nunca gostou de mim e nem eu dela. Ela deve ter ido direto pro inferno.
Você
Apenas você
Ali deitada
Repousando de sua incredulidade
De seu paraíso caído
Vivendo um compasso diferente
Hoje eu amanheci sem saber do fim
Eu amanheci na tristeza de tentar ser gente
Mas você já não estava
Caía do céu de suas tolices infantis
Seus passeios desencontrados
Pelos campos das sementes entristecidas
Me indagava se eu não era o que queria
Se outrora fora o que pedia
E eu apenas aceitava
Via você deitada
Ali
Apenas você
Ali deitada
Repousando de sua incredulidade
De seu paraíso caído
Vivendo um compasso diferente
Hoje eu amanheci sem saber do fim
Eu amanheci na tristeza de tentar ser gente
Mas você já não estava
Caía do céu de suas tolices infantis
Seus passeios desencontrados
Pelos campos das sementes entristecidas
Me indagava se eu não era o que queria
Se outrora fora o que pedia
E eu apenas aceitava
Via você deitada
Ali
terça-feira, fevereiro 05, 2002
Hoje eu ralei demais, não tive tempo para nada.
A D. Paula quer que eu fale sobre o Clube dos Barriguinhas Chorões ao qual sou um dos membros fundadores.
Mas por enquanto, não posso falar sobre o assunto apropriadamente pois isso não me foi permitido pelos outros fundadores.
Você terá de esperar, Paulinha!
Sei que a curiosidade vai ser muita mas não posso fazer nada por enquanto.
"You do it to yourself
you do and that's what really hurts is
you do it to yourself just you,
and no-one else you do it to yourself"
A D. Paula quer que eu fale sobre o Clube dos Barriguinhas Chorões ao qual sou um dos membros fundadores.
Mas por enquanto, não posso falar sobre o assunto apropriadamente pois isso não me foi permitido pelos outros fundadores.
Você terá de esperar, Paulinha!
Sei que a curiosidade vai ser muita mas não posso fazer nada por enquanto.
"You do it to yourself
you do and that's what really hurts is
you do it to yourself just you,
and no-one else you do it to yourself"
segunda-feira, fevereiro 04, 2002
Superbowl]
Domingão em casa, vários filmes para ver no vídeo. Me preparava para assistir ao último. Não. Está passando o Superbowl. Imperdível.
Para quem não sabe, o superbowl é a final do campeonato de futebol americano, a NFL.
É aquele esporte onde os caras são uns armários com uma fúria assassina, se esgoelando por uma bola que não é redonda. Eles usam um tipo de armadura alcochoada para não machucar. É claro que não adianta muito, pois a fúria e o impacto de uns com os outros é tanta que os caras saem aleijados, para se dizer o mínimo.
O negócio é que o futebol americano é um show de imagens. Sinceramente, os caras sabem como filmar esse jogo. Mas é como a fórmula um. A gente só vê graça na tv. Se eu fosse num estádio ver, no mínimo ia morrer de tédio pois a toda hora se interrompe o jogo.
Só que quando tem o intervalo do meio do jogo, tem sempre alguma coisa para que as pessoas no estádio se divirtam, não fiquem entediadas. Mal o intervalo começou, depois de uns três minutos, apareceu um palco gigantesco com rampas e passarelas e milhares de pessoas em volta bem no meio do estádio, no gramado.
Entra o U2 vindo do meio do povo. Daí o que se vê é algo grandioso demais. O estádio inteiro se ilumina de azul enquanto Bono e sua trupe canta. Aí, uma faixa começa a se estender atrás do palco para cima, e se estende, e se estende, e eles começam a projetar o nome de todas as pessoas que morreram em 11 de setembro. A faixa ia às alturas. Uma coisa brega de americano. Mas impressionante pois os nomes subiam com a faixa até o céu. Não sequer imagino como eles conseguiram projetar aquilo tudo.
Não é que, acabando o show, em uns três minutos parecia que não teve nada no gramado. Eu fiquei impressionado. O palco sumira e os jogadores já estavam entrando em campo.
Não dá para comparar a eficiência desses caras em produzir esse tipo de coisa.
Uma coisa assustadora.
Domingão em casa, vários filmes para ver no vídeo. Me preparava para assistir ao último. Não. Está passando o Superbowl. Imperdível.
Para quem não sabe, o superbowl é a final do campeonato de futebol americano, a NFL.
É aquele esporte onde os caras são uns armários com uma fúria assassina, se esgoelando por uma bola que não é redonda. Eles usam um tipo de armadura alcochoada para não machucar. É claro que não adianta muito, pois a fúria e o impacto de uns com os outros é tanta que os caras saem aleijados, para se dizer o mínimo.
O negócio é que o futebol americano é um show de imagens. Sinceramente, os caras sabem como filmar esse jogo. Mas é como a fórmula um. A gente só vê graça na tv. Se eu fosse num estádio ver, no mínimo ia morrer de tédio pois a toda hora se interrompe o jogo.
Só que quando tem o intervalo do meio do jogo, tem sempre alguma coisa para que as pessoas no estádio se divirtam, não fiquem entediadas. Mal o intervalo começou, depois de uns três minutos, apareceu um palco gigantesco com rampas e passarelas e milhares de pessoas em volta bem no meio do estádio, no gramado.
Entra o U2 vindo do meio do povo. Daí o que se vê é algo grandioso demais. O estádio inteiro se ilumina de azul enquanto Bono e sua trupe canta. Aí, uma faixa começa a se estender atrás do palco para cima, e se estende, e se estende, e eles começam a projetar o nome de todas as pessoas que morreram em 11 de setembro. A faixa ia às alturas. Uma coisa brega de americano. Mas impressionante pois os nomes subiam com a faixa até o céu. Não sequer imagino como eles conseguiram projetar aquilo tudo.
Não é que, acabando o show, em uns três minutos parecia que não teve nada no gramado. Eu fiquei impressionado. O palco sumira e os jogadores já estavam entrando em campo.
Não dá para comparar a eficiência desses caras em produzir esse tipo de coisa.
Uma coisa assustadora.
Green e idealismo
Sexta feira fui ao Green tomar uma cerveja.
O Green é um boteco perto de casa. O r.e.m. tem um disco homônimo, motivo suficiente para o lugar ser diferente. Além disso, o dono tem um gosto musical acima da média. O dono é um figuraça. Já foi músico e chegou a tocar com Elis Regina. Aliás figuras são o que não faltam no bar.
Já conheci várias lá.
Pois eu estava lá bebendo e conversando com um vizinho conhecido. Daí apareceu um senhor amigo dele. Ele se sentou e se apresentou.
Seu nome é Jésus. Tem 56 anos, casado com uma moça muito mais jovem e com duas filhas.
Depois fiquei sabendo de sua história. Foi perseguido e preso durante a ditadura. Era jovem nessa época e lutava pelos seus direitos e pelo direito dos outros. Foi chamado de subversivo. É intelectualizado mas sem ser como a maioria. Não era pedante.
Ele contava que sua filha mais velha estava indo para o 1° ano na escola. Pensava que educação ela poderia ter em um país onde a educação é relegada a segundo plano e os jovens estudantes aceitavam tudo passivamente. Ninguém lutava mais por nada. E começou a chorar. Chorava pela apatia que via. Já tinha lutado muito durante a vida e ainda “lutava” pelo sustento da família. Era um idealista ferido, amargurado, caído.
Me senti velho, me senti muito mais velho que ele. Mais velho que os sonhos de qualquer um. O seu idealismo ingênuo me atingira apenas pelo fato de ser um idealismo ingênuo. Eu vi ali uma ponta enraizada de amor ao país, às idéias e ao futuro. Um amor incompreendido e tolo, mas nem por isso menos belo. Eu já desistira disso tudo há muito tempo e me vi de repente como um grande imbecil.
Ele, chorando, pediu desculpas e se foi, me deixando com mais vontade de beber a minha cerveja. Nessas horas, beber muito não parece ser uma má idéia.
Os outros que estavam no bar pensavam que ele chorava por que tinha bebido além da conta. Ele era o mais são. O mais humano. E eu me envergonhava por ter perdido aquilo.
Hoje não sou mais tão revoltado com as coisas. As aceito na maioria das vezes. Isso pode ser muito errado, mas ficar sofrendo por razões políticas e idealistas já não tem muito sentido para mim.
Bebi mais. E fui embora tarde.
Sexta feira fui ao Green tomar uma cerveja.
O Green é um boteco perto de casa. O r.e.m. tem um disco homônimo, motivo suficiente para o lugar ser diferente. Além disso, o dono tem um gosto musical acima da média. O dono é um figuraça. Já foi músico e chegou a tocar com Elis Regina. Aliás figuras são o que não faltam no bar.
Já conheci várias lá.
Pois eu estava lá bebendo e conversando com um vizinho conhecido. Daí apareceu um senhor amigo dele. Ele se sentou e se apresentou.
Seu nome é Jésus. Tem 56 anos, casado com uma moça muito mais jovem e com duas filhas.
Depois fiquei sabendo de sua história. Foi perseguido e preso durante a ditadura. Era jovem nessa época e lutava pelos seus direitos e pelo direito dos outros. Foi chamado de subversivo. É intelectualizado mas sem ser como a maioria. Não era pedante.
Ele contava que sua filha mais velha estava indo para o 1° ano na escola. Pensava que educação ela poderia ter em um país onde a educação é relegada a segundo plano e os jovens estudantes aceitavam tudo passivamente. Ninguém lutava mais por nada. E começou a chorar. Chorava pela apatia que via. Já tinha lutado muito durante a vida e ainda “lutava” pelo sustento da família. Era um idealista ferido, amargurado, caído.
Me senti velho, me senti muito mais velho que ele. Mais velho que os sonhos de qualquer um. O seu idealismo ingênuo me atingira apenas pelo fato de ser um idealismo ingênuo. Eu vi ali uma ponta enraizada de amor ao país, às idéias e ao futuro. Um amor incompreendido e tolo, mas nem por isso menos belo. Eu já desistira disso tudo há muito tempo e me vi de repente como um grande imbecil.
Ele, chorando, pediu desculpas e se foi, me deixando com mais vontade de beber a minha cerveja. Nessas horas, beber muito não parece ser uma má idéia.
Os outros que estavam no bar pensavam que ele chorava por que tinha bebido além da conta. Ele era o mais são. O mais humano. E eu me envergonhava por ter perdido aquilo.
Hoje não sou mais tão revoltado com as coisas. As aceito na maioria das vezes. Isso pode ser muito errado, mas ficar sofrendo por razões políticas e idealistas já não tem muito sentido para mim.
Bebi mais. E fui embora tarde.
sexta-feira, fevereiro 01, 2002
Recebi um e-mail falando da plataforma de governo da Roseana Sarney(quase pus Collor no sobrenome e depois pensei que tinha tudo a ver).
Que ela vai privatizar as Universidades públicas, que ela vai acabar com a aposentadoria e as leis trabalhistas, que ela vai ser o cão, vai transformar o país no inferno na Terra, etc...
E que se alguém estivesse duvidando, que fosse no site do PFL para tirar a prova.
Fui no site e não tinha nada para se acessar. Aliás, parecia que o site foi temporariamente fechado.
Eu também não quero que aquela cara-de-cachorro-pequenês seja eleita mas não sejamos ingênuos!
Esses caciques do PFL estão no poder tem muito tempo. Eles não são bobos. Eles são uns grandes safados. Toninho Malvadeza e compania não podem ser subestimados assim.
Portanto, façam o negócio direito.
Provar que a vaca não sabe do que está falando por exemplo.
Provar que ela nunca foi feminista.
Provar que a campanha dela se baseia pelo único fato dela ser mulher e não por méritos e conquistas de seu governo. O Maranhão é o estado com a pior distribuição de renda no país.
Vamos ser mais espertos.
Que ela vai privatizar as Universidades públicas, que ela vai acabar com a aposentadoria e as leis trabalhistas, que ela vai ser o cão, vai transformar o país no inferno na Terra, etc...
E que se alguém estivesse duvidando, que fosse no site do PFL para tirar a prova.
Fui no site e não tinha nada para se acessar. Aliás, parecia que o site foi temporariamente fechado.
Eu também não quero que aquela cara-de-cachorro-pequenês seja eleita mas não sejamos ingênuos!
Esses caciques do PFL estão no poder tem muito tempo. Eles não são bobos. Eles são uns grandes safados. Toninho Malvadeza e compania não podem ser subestimados assim.
Portanto, façam o negócio direito.
Provar que a vaca não sabe do que está falando por exemplo.
Provar que ela nunca foi feminista.
Provar que a campanha dela se baseia pelo único fato dela ser mulher e não por méritos e conquistas de seu governo. O Maranhão é o estado com a pior distribuição de renda no país.
Vamos ser mais espertos.
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