sexta-feira, novembro 11, 2005
Quando o furacão Katrina passou pelos Estados Unidos, duas semanas depois teve um show para angariar fundos aos desabrigados, numa prova que a indústria do entretenimento se importava com aquele desastre.
Depois do terremoto na Caxemira nenhum artista humanitário cantou um trechinho de música para ajudar os necessitados paquistaneses que são, diga-se de passagem, bem mais necessitados que os pobres americanos.
Depois do terremoto na Caxemira nenhum artista humanitário cantou um trechinho de música para ajudar os necessitados paquistaneses que são, diga-se de passagem, bem mais necessitados que os pobres americanos.
sexta-feira, julho 29, 2005
Estréia hoje nos cinemas brasileiros o filme Sin City de Frank Miller e Robert Rodrigues. Eu já vi o filme e vou aqui tentar convencê-los a fazer o mesmo. Na verdade, eu estou a fim de falar sobre isso porque me considero entendido em quadrinhos e, principalmente, Sin City.
Como vocês sabem, leio quadrinhos praticamente desde que nasci. E leio quadrinhos de Frank Miller desde os oito anos quando descobri o Demolidor. Eu estava começando a ler histórias do Conan e em uma revista havia a história do Homem sem medo enfrentando o Rei do Crime. Aquela aventura me surpreendeu. O desenhista era brilhante. A história parecia filme com cenas quadro a quadro. Fiquei fã e comecei a ler o Demolidor escrito e desenhado por Miller. Uma das marcas dos quadrinhos é sua linguagem cinematográfica que ele explora magistralmente. Vieram outras revistas e outros personagens que Miller desenhou. Quando o cara pôs a mão no Batman, houve um divisor de águas na década de oitenta. Ele escreveu e desenhou o Cavaleiro das trevas, uma das melhores revistas em quadrinhos de todos os tempos. A revista que mais vendeu na época (não sei qual quadrinho é recordista em vendas, mas sei que esta foi a que mais vendeu até então) mostrava um Batman velho em uma Gothan City sombria e violenta dominada por gangs.
Nesta revista, o Batman mata o coringa e enfrenta o Superhomem. Outra característica de Miller é a linguagem em 1ª pessoa. Lendo Batman você entra na mente do personagem. É clássica a página que ele aleija um cara e pensa: existem três maneiras de desarmá-lo. Duas matam. A última aleija.
Eu poderia falar muito mais sobre Miller mas vamos a Sin City.
Sin City é a Gothan City de Miller, cidade inundada por corruptos e inferninhos. Gente podre e apodrecida pela sociedade onde alguns honrados tentam se manter afastados e lutam por manter a cidade um lugar mais são.
Ele ainda hoje utiliza a linguagem cinematográfica e as vozes em primeira pessoa. O filme nada mais é que a mais crua transposição do que Miller escreveu para o cinema. Está tudo pronto lá nos quadrinhos. Robert Rodriguez é fã de Miller há anos e teve o bom senso de não mexer em nada nessa adaptação. O material já estava pronto, era só por em película. Ou deveria dizer, em bytes?
O filme foi filmado digitalmente com os atores em fundo azul. Os cenários foram colados via computador em pós produção. O resultado é de babar. Não espere grandes interpretações. O melhor do filme é sua narrativa de ação ininterrupta. A única coisa que me incomodou no filme é sua curta duração. A sensação nos quadrinhos é mais, digamos confortável que no filme. A história do grandalhão Marv (Mickey Rourke) é grande e tenebrosa. No filme ela ocupa um terço do tempo e é passada rapidamente. Ah, é bom dizer que o filme é estremamente violento. Mas não se preocupe em ver sangue. Ele não aparece em sua cor vermelha pois o filme é em preto e branco. E o Quentim Tarantino dirige uma pequena cena do Dwight (Clive Owen) dirigindo o carro conversando com um morto ao lado. E o morto responde. Típica coisa de quadrinhos.
Fiquei um tempão sem postar por não estar conseguindo entrar no blog. Não tinha acesso apesar das várias tentativas. Sem blog para postar minhas asneiras, estava pensando em criar outro. Acho que não ia dar certo. Afinal, esse blog aqui já foi difícil de ser gerado, outro eu não ia aguentar. Agora eu vou encher o saco de tanta porcaria que vou escrever.
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