sábado, dezembro 04, 2004

Eu choro, eu choro de emoção quando vejo o que essas pessoas significam para mim. Não há um sentido nisso tudo além de sermos todos irmãos. A nossa vida só significa algo quando passamos por ela em comunhão. Não quero soar poético aqui, longe disso, mas algo significativo é urgente. Eu não entendo como posso ter feito tantas e tão grandes amizades nesses anos. Não entra na minha cabeça.
Pois o que a gente leva até o final da vida são os momentos felizes junto aos amigos. A minha mãe tem 74 anos. Várias amigas dela já morreram ou estão mais pra lá do que pra cá. Ela guarda com muito carinho essas amizades e hoje ela vê o quão rápido passaram esses 74 anos.
E me impressiona o quão babaca nós podemos ser por nos acharmos eternos. Deixar coisas para amanhã, ou outro dia, não conhecer alguém por medo de se arriscar. Foda-se! Vamos viver e se fuder.
Eu estou falando assim mas sou o primeiro a arregar, a deixar para amanhã, a sair correndo covardemente. Eu sei. mas isso está começando a me atormentar.
Hoje eu vejo que os meus amigos me ensinam a cada dia a gostar de mim. Eu nunca fui muito de gostar de mim. Mas a sinceridade e o carinho dessas pessoas me faz ver que eu sou um besta por não gostar de mim. ///////////////Eu estou aprendendo a gostar mais de mim.
Obrigado! Muito obrigado!

quarta-feira, novembro 17, 2004

A eleição americana decepcionou muita gente no mundo inteiro. Eu particularmente acho que o Bush será o protagonista de uma tragédia sem precedentes. Talvez o responsável pela 3ª Guerra Mundial onde a raça humana será aniquilada de vez. É, eu sei, sou um pessimista nato. Mas nada dura para sempre mesmo.
Enfim, depois de todas as discussões, manifestações pelo mundo, os imbecis dos americanos votaram no maior idiota vivo.
Surpreendentemente vi esse site onde vários americanos pedem desculpas ao resto do mundo por esse fiasco. O senhor Bush foi eleito com uma diferença de no máximo 3% do eleitorado. Ou seja, quase metade da população não votou no cara. Por maior crítico que eu seja da sociedade americana e de sua imbecilidade, atitudes assim, pedidos de desculpas assim, me dão um pouco de esperança.
Otário!!!

quinta-feira, outubro 21, 2004

Inspirado pela minha irmãzinha que está tão longe tão perto, volto a escrever por estas bandas. Não é fácil escrever. É um martírio.
“É vencer a distância da cadeira e da máquina, e é uma distância enorme” disse uma vez Fernando Sabino. Encontro marcado é um dos meus livros prediletos. Muita gente acha o livro chato. Eu sou chato também. Fiquei sentido com a morte dele. Ele sim merecia uma estátua nas ruas de BH e não o insuportável do Roberto Drummond.
Me tornei um chato com consciência. Não consigo mais fazer canalhices. Que bosta. Toda mulher gosta dos canalhas. É o que elas dizem. E eu já fui canalha. E gostaria de voltar a sê-lo, mas me tornei um imbecil com consciência.
Mas eu ainda consigo encontrar pessoas verdadeiras. Amo as pessoas verdadeiras. Só não sou verdadeiro comigo mesmo. Sou aquele que tento destruir. Sou o meu carrasco.
Não estou. Simplesmente não estou. Saí para comprar cigarros e ainda não voltei.
A espada de Démocles está sobre a minha cabeça, se aproximando e me sugando. Estou nadando mas por enquanto... nada José, nada!

sábado, outubro 02, 2004

Alguém já ouviu falar em Art Spielgeman?
Seu álbum de quadrinhos chamado "Maus" é considerado o melhor já publicado. Eu não tenho mas sei que ele e Watchmen dividem a crítica mundial de melhor quadrinhos de todos os tempos. Ou seja, o cara é foda.
Depois de Maus, ele não lançou mais nada e ficou sem aparecer e sem escrever nada. Agora, devido a má administração de George W. Bush, ele resolveu lançar o livro "À sombra das torres ausentes". Eu estive com ele em mãos e lhes digo que é demais. É um dos mais importantes lançamentos literários do ano, não só no Brasil mas no mundo.
Nesse livro, Spielgeman coloca personagens clássicos dos quadrinhos como "Yellow kid" e "Os sobrinhos do Capitão" discutindo os rumos tomados pelo USA pós 11 de setembro.
Nem quis saber o preço pois deve ser caro. Mas é de babar.
Ou seja, se alguém quiser me dar algum presente de aniversário, aí está uma dica.

quarta-feira, setembro 15, 2004

Eu realmente não sei lidar com dinheiro.
Não sei.
Eu deveria me casar com uma economista ou algo do gênero.
Sou um fiasco. Dinheiro na minha mão é realmente vendaval.
Compro várias porcarias. Só compro porcarias.
Que necessidade promíscua de comprar é essa?
Eu estou me fudendo por causa das dívidas e ainda gasto com bobagens.
Que retardado!
Estou amadurecendo.
E achando um pouco inútil esse lugar.
Minha mentalidade está mudando, eu estou mudando. É a vida.
E eu estou ficando a cada dia mais desinteressante. Pelo menos para quem se propõe a ler esse blog.
A quem estou querendo enganar? Ninguém mais lê essa merda.
Já pensei em acabar com o blog mas ainda não consigo. Não tenho coragem.
Então ele irá permanecer no ar, por enquanto.


Se tem um cara que é foda de desenhos, esse cara é o Alex Ross. Qualquer coisa que ele desenha fica bom demais.Até uma coisa ridícula como os super gêmeos fica excelente no traço do cara.

quinta-feira, agosto 26, 2004

I just dont know what to do with myself
Dá-lhe White Stripes. Hoje eu descobri que estou simplesmente de saco cheio. Eu sei que muita gente olha o meu blog para me ver reclamando da vida, para rir da minha cara. Eu não ligo. O que eu sei é que estou triste pacas com tudo. Eu cavei a minha cova e me enfiei nela.
Aí Fabão, vamos fazer alguma coisa juntos neste fim de semana. Ir para um sítio, para um camping, cidade do interior, chacára, fazenda, terreno baldio, qualquer coisa para sair daqui. Não tô a fim de ir prum buteco chapar e não conhecer ninguém interessante. Não quero ficar aqui. Vamos cair na estrada nem que seja para Macacos. Vamos botar pra fuder.
É claro que eu falo assim mas sou o primeiro a dar pra trás (no bom sentido da palavra).
E eu me lembro da Paula Von que sempre me fala que gostaria de ser o Wolverine para rasgar algumas pessoas. Eu também Paula, eu também.

quarta-feira, julho 14, 2004

- E aí?
- Beleza!
- O quê cê anda fazendo?
- Trabalhando.
- Na área?
-Não, com celulares.
- É mesmo? Desistiu do jornalismo?
- Bem eu...
Muita gente tem ficado chocada com a minha “saída da área jornalística”. Não tanto quanto eu fico chocado ao ver que não me tornei o profissional que eu gostaria pelo simples detalhe de não ter conseguido arrumar emprego. Será que eu não lutei o suficiente? Será que eu sou tão imbecil assim? Mas parei de pensar nisso. E eu fico mais chocado ao notar que já não me importo mais.
Acho que estou dando um tempo. Não quero pensar em jornalismo. Não quero ler ou ver jornais. Quero ser apenas mais um.
E eu não estou sozinho. 95% das pessoas que se formaram comigo não trabalham na área. Ou seja, foda-se.
Entrei no tal de Orkut. Mais uma coisa para me fazer perder tempo. Eu pensando que era legal por ser novidade. Aí passou no programa do Agenda, entrevistando as senhoritas Catarina e Fran. Tudo o que passa no agenda já deixa de ser legal. Na verdade, esse é um problema que vem ocorrendo há pouco com o programa. Assistam e vejam a falta de assunto que eles vêm enfrentando. Isso sem falar que se trata da senhorita Catarina dando entrevista. Para quem não sabe, eu e essa pessoa já nos desentendemos num grupo de discussões. Eu sei que sou uma pessoa meio difícil de se conviver, mas tudo tem limite.
Então eu entrei nessa merda de Orkut e tô curtindo, por enquanto...
Ironia da vida. Eu comprei um celular.

sábado, junho 19, 2004

Estou de ressaca, trabalhando num sábado de sol.
Poucas coisas são piores que isso. Mas estou trabalhando. Isso Zé, pense pelo lado positivo da coisa. Trabalho suado = dinheiro honesto.
Mas sábado ????
Ok, eu sei, estou reclamando de novo. Que cara chato...
E ontem fui ao quarenta para ver se via alguém conhecido. Pela primeira vez não tinha. Ao contrário, estava cheio de gente velha e feia. Parecia uma convenção de aliens. Aí eu tomei duas no balcão sozinho. Depois apareceu o Nísio, mas já era tarde e fui embora. Chegando em casa, encontrei com um vizinho que resolveu me pagar várias cervas. Resultado...
Estou de ressaca, trabalhando num sábado de sol.
Quando eu comecei a escrever nesse blog, falei sobre esse povo que fala de celulares com uma intimidade irritante, em números e códigos aos quais eu era ignorante e incapaz de entender o porquê de alguém perder tempo com tamanha futilidade.
Hoje eu sei tudo de códigos de celulares. Quase tudo... mas por uma questão de necessidade. Eu trabalho com isso.
O que nesse sábado dá um alívio é que as pessoas que trabalham comigo são bacanas, inteligentes, e, o melhor de tudo, mulheres bonitas.
E antes que alguém pergunte, eu não vou ganhar celular e nem sei quando vou comprar. Eu só sei que estou de ressaca, trabalhando num sábado de sol e minha cabeça está doendo pacas.

sexta-feira, maio 14, 2004

Há pouco tempo, assisti a um filme alemão chamado “a experiência” que me deixou um tanto chocado. Nele, uma experiência é feita com um grupo de 20 homens. Eles foram divididos em guardas e prisioneiros de acordo com o perfil de cada um e durante duas semanas eles desempenhariam esses papéis ganhando 4 mil Euros cada. O que acontece? Os que foram designados para guardas começam a tomar atitudes autoritárias pois o prazer do poder sobre o mais fracos se sobressai. Os prisioneiros, por outro lado, começam a tentar se rebelar o que só gera mais autoritarismo. O filme descamba para uma violência extrema. Acontece que ele é baseado em fatos reais. A experiência real teve de ser interrompida antes que os “guardas” matassem um “prisioneiro”.
Algumas pessoas, mesmo sem saberem ou nunca terem feito mal a uma mosca, são autoritárias. E quando chegam ao poder, é um Deus nos acuda pois “o poder corrompe e o poder absoluto, corrompe absolutamente”.
Eu fiquei horrorizado, envergonhado, estupefato com a palhaçada do Lula para com o jornalista estrangeiro. Eu votei no Lula e o cara está se achando o todo poderoso intocável do planalto.
E daí que a reportagem era mentirosa? Processa o jornal e não se fala mais nisso. Agora o Lula é cachaceiro, beberrão e pinguço por ter feito justamente o contrário do que a gente faz quando alguém apelida a gente e a gente não gosta: ficou com raiva e quis dar porrada. Aí o apelido pega, não tem jeito.
Aí, a minha mãe veio me falar que o Lula está certo em expulsar o jornalista. Detalhe, a minha mãe, se tivesse nascido na alemanha, teria sido o braço direito do Hitler. Ela acha que Getúlio Vargas devia ser canonizado pelo Papa e adora filmes do Charles Bronson e Steven Segal.ahahahahahaahahah
Ela é autoritária até o osso, mas isso faz parte do charme dela e da graça, afinal ela tem 75 anos. A mente daquela velhinha simpática trama golpes. E ela gosta do Lula.
O que mais me impressionou foi a reação alguns colegasa meus, jornalistas, que concordaram com o Lula. Não é possível!
-Ah, esses americanos. Vai encher o saco do Bush lá nos EUA. Aqui não!
Agora eu não sei se é autoritarismo enrustido ou burrice mesmo.
Eu não sei se eu seria guarda ou prisioneiro naquela experiência, mas eu vejo que as pessoas estão ficando mais insensíveis e hipócritas umas com as outras. Há uma banalização de tudo hoje em dia. Vamos com calma que o buraco é mais embaixo.
Ou vamos tomar uma, como diria o nosso presidente cachaceiro.

domingo, abril 25, 2004

Outro dia fiz um negócio punk. Não pense que eu estou nessa onda de retorno dos 80. Aliás, muita gente acha que eu sou o maior fã da década de oitenta pois gosto de várias bandas da época e tal. Eu gosto de várias bandas da época pois eu vivi a época. Do meio dos oitenta em diante foi que eu me interessei por música. Hoje eu gosto de tudo um pouco mas principalmente de duas fases do rock: do início do punk no início da década de 70, ou seja, o protopunk, vide MC5, Stooges, Lou Reed, Ramones, Talking Heads, etc. E o chamado pós-punk, apesar de ter algumas bandas que não têm a ver com isso ali, até o meio da década de oitenta, em sua maioria bandas inglesas. Entre elas: Joy Division, The Cure, Echo & the bunnymen, Smiths, Jesus and the Mary Chain, New order, etc. Do punk mesmo eu gosto do Clash e do Sex Pistols.
Mas não é nada disso. Eu fiz um negócio “punk” por ter sido foda pra caralho.
Sabe essa série 24 horas que a Globo tá exibindo à noite e tal?
Pois é, o Léo, o Grã sacerdote da ordem dos barriguinhas chorões, promoveu o primeiro grande evento aos associados. Uma maratona da 2a temporada de 24 horas, sem intervalo. Eu quase entrei em pane.
Caso vc esteja meio perdido, deixa eu explicar um pouco a série.
Cada episódio é uma hora da vida do agente Jack Bauer. Em um ano de série passam 24 episódios. Ou seja, vc vê um dia inteiro das estripulias do agente. Eu vi a série sem intervalos. Fiquei das cinco da tarde às onze horas do dia seguinte direto, sem dormir, só assistindo tv. Quando deu umas oito horas da manhã eu já estava endoidando. – Pelamordedeus, essa série não acaba.
O Léo gravou todos os capítulos pela Fox. Se caso vc queira assistir eu te falo, vale a pena pacas. Na verdade é uma das melhores coisas queeu vi nos últimos tempos. Em cada episódio a adrenalina aumenta e o negócio vai se desenrolando como uma montanha russa.
Durante a noite eu cochilei perdendo uns capítulos mas, como o clube é solidário, os outros associados presentes me punham a par do que eu tinha perdido. A cerveja acabou entre o oitavo e o décimo episódio.
Agora a gente está esperando acabar de passar a 3a temporada para fazermos outra maratona. Punk is not dead.
Depois de um limbo mental, onde me perdi num transe nauseabundo (hein?) estou aqui de volta neste blog que tanto vcs adoram.
AÊÊÊÊÊÊÊ!!!!!!
Talvez eu mude o layout.
Antes que eu comece com a mesma ladainha de sempre, quero pedir a todos os que puderem, deixar uma porra de um recado nessa merda pois eu tô achando que ninguém mais vem aqui.

terça-feira, março 30, 2004

Esse governo do Lula está indo de mal a pior. Essa impáfia que o presidente anda com ela ultimamente me decepciona a cada dia. Não está nada diferente do Fernando Henrique. Nada. Há a mesma arrogância, pelo menos. É... fudeu!
E a incompetência de pessoas do governo já se faz notar. Sem falar no insuportável do José Dirceu, que devia ter pedido pra cagar e sair logo do governo.
-Não existe crise!
Não tem greve, os peços não aumentam, as lojas não estão fechando, o desemprego não está aumentando...
O poder corrompe e o poder absoluto, corrompe absolutamente. Lula que o diga.
Eu estou indignado pois sempre fui eleitor do PT, sempre votei no Lula e sempre o defendi.
E eu pergunto, e agora?
Agora fudeu!

terça-feira, março 16, 2004

A novidade é a seguinte:
sou um novo homem pois encontrei jesus.
Jesus é vida, é amor e ...
eheheheheh
Brincadeira.
Faz alguns meses e ainda vai demorar um pouco para eu voltar a escrever aqui o tanto quanto gostaria. Na verdade, nem sei se a página ainda está funcionando. É um teste.
Lamento informar maas a rádio está temporariamente fora do ar.
Eu estou ainda mais a toa, procurando emprego.
E nem um pouco contente de estar falando isso.

terça-feira, janeiro 13, 2004


João Preto, Calango, Eu e Kahoona na festa de reveillón no fim de ano pouco antes de nós três ficarmos completamente embriagados.
Mais uma prova de como eu estou gordo.

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Casamento do Léo. Ele agora foi ordenado o Grão Mestre da Ordem do Clube dos Barriguinhas Chorões . Eu fui padrinho. Entrei na igreja com uma véia arregaçada horrenda. E fiquei pensando no caminho: “isso só acontece por que eu não tenho namorada. Se eu tivesse namorada ela entraria comigo e eu não precisaria entrar com essa desmaiada.” É foda!
Mas é claro que isso não foi nada diante da felicidade do meu amigo e da sua esposa. Gosto muito dos dois e espero que tudo dê certo.
Na verdade eu me sinto muito sozinho. Apesar de ocupar a minha mente com várias atividades e de tentar ser agradável e divertido, eu me sinto só. Não estou nem vendo graça em beber. EU, O ZÉ, NÃO ESTOU VENDO GRAÇA EM BEBER. E me irrito fácil, fico impaciente rápido e minha ansiedade emerge como um animal enfurecido.
Calma, louco eu não estou. Solitário sim, louco não.
E não é solidão de pensamento. É carência afetiva mesmo. Credo, que coisa horrível de se colocar num blog, que coisa mais brega. Mas é o que eu estou precisando falar para mim mesmo. Tenho de terminar com isso. Só depende de mim. Quer dizer, mais ou menos. Todo mundo me acha exigente demais. Tanto comigo quanto com os outros. E essa exigência não me deixa muitas vezes seguir adiante na hora de conhecer alguém. Isso e a minha timidez.
Mas minha solidão está me consumindo de uma forma que eu nunca imaginei. Que coisa mais gay de se dizer.
Mas é triste. Me sinto um imbecil triste e só. Apesar de todas as coisas legais que têm acontecido comigo, eu ainda tenho problemas. Ah como eu sou legal.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Eu vi o Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei.
Fechando a saga com chave de ouro e colocando uma nova geração de fãs em polvorosa. Muita gente pergunta qual dos três é melhor. Eu gosto dos três. Existem coisas que eu gosto muito no primeiro, acho o segundo um espetáculo, e o terceiro também deixa o queixo cair. Ou seja, os três se completam. O ruim é que acabou. Não há mais filmes do Senhor dos Anéis e o próprio filme deixa a gente pedindo por mais e inconformados com o fim. Quando tudo acaba, os remanecentes não conseguem se esquecer da aventura que passaram. Como voltar ao tédio da vida rotineira depois do que passaram. Me identifiquei com isso assim que voltei do meu reveillon na Serra do Cipó. Tá certo que a casa da gente é insubstituível mas estar cercado de natureza, sem ver tv, sem ver sinais de trânsito, indo a cachoeiras e tomando chuva, jogar xadrez tomando uma breja pra aquecer, paquerar e dar uma sinuca de bico. Foi tudo bom e tranquilo, e fácil. (eu ia colocar um trecho daquela música ..Fácil, extremamente fácil, mas Jota Quest é dose).
Enfim, foi bom demais, sô. Tanto o reveillón quanto o Sinhô das arruela.
Li a biografia do Kurt Cobain, “Mais pesado que o céu”. É um dos livros mais tristes que já li. Chorei com a narração de seu suicídio. Por mais que vc não goste, o ache um imbecil por ter se matado, não o considere um cara genial... uma coisa ninguém nega, ele foi a voz de uma geração. E uma geração que não viu surgir ninguém para substituí-lo. Eu me lembro quando "Smells like teen spirit" estourou, eu devia ter uns 15, 16 anos. Estava aprendendo a ouvir música, a beber e ... outras coisas também. Quando ouvimos a música eu e meus amigos sentimos uma empolgação diferente. Estava tudo estagnado e a gente queria mexer na hipocrisia da sociedade. Juventude. Adolescência. É claro que tudo acabou se tornando mainstream e indo para o chão, mas só pelo fato de ter acontecido, foi duca.
Me lembro quando fiquei sabendo de seu suicídio. Foi um choque ver a que ponto aquele cara havia chegado. O livro explica muita coisa. O vício e o ódio de viver são assustadores. Eis o bilhete de suicídio do Kurt.

Para Boddah
Falando como um simplório experiente que obviamente preferia
ser um efeminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.
Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos,
desde minha primeira introdução a, digamos assim, ética envolvendo
independência e o abraçar de sua comunidade provaram ser verdadeiras.
Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música,
bem como ao ler ou escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras.
Por exemplo, quando estou atrás do palco, as luzes se apagam e o ruído
ensandecido da multidão começa, nada me afeta do jeito que afetava Freddie Mercury,
que costumava amar, se deliciar com o amor e adoração da multidão -
o que é uma coisa que totalmente admiro e invejo. O fato é que não consigo enganar vocês
, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim.
O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que
estou me divertindo 100 porcento. Às vezes acho que eu deveria adicionar um despertador
antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso
(e eu gosto, Deus, acreditem-me, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato
de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles
narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais.
Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando
criança. Em nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as
pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas ainda não consigo
superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bom em todos nós
e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal.
O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus.
Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa,
que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra demais de como eu costumava ser,
cheia de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque
todo mundo é bom e não vai fazer mal a ela. Isto me aterroriza a ponto de eu mal
conseguir funcionar. Não posso suportar a idéia de Frances se tornando o triste,
autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei. Eu tive muito, muito mesmo,
e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos
os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia.
Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho.
Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e
sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste
Não tenho mais a paixão, então lembrem é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Paz,

Amor, Empatia.

Kurt Cobain
Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, vá em frente
, Courtney, por Frances. Pela vida

dela, que vai ser tão mais feliz sem mim. EU TE AMO, EU TE AMO!

Boddah era um amigo imaginário de infância.
É claro que a gente fica louco para ouvir as músicas da banda. Redescobri algumas coisas e descobri outras. In Utero é um discaço e “Pennyroyal tea” a música que quero tocar no violão para amigos ausentes.
Acabei indo ao almoço chato de Natal. A consciência pesou principalmente pelo meu irmão que fora excepcionalmente legal comigo. E depois, ainda vi “ A felicidade não se compra”, clássico natalino do Frank Capra com o James Stewart e chorei. Sou besta mesmo.