terça-feira, janeiro 13, 2004


João Preto, Calango, Eu e Kahoona na festa de reveillón no fim de ano pouco antes de nós três ficarmos completamente embriagados.
Mais uma prova de como eu estou gordo.

segunda-feira, janeiro 12, 2004

Casamento do Léo. Ele agora foi ordenado o Grão Mestre da Ordem do Clube dos Barriguinhas Chorões . Eu fui padrinho. Entrei na igreja com uma véia arregaçada horrenda. E fiquei pensando no caminho: “isso só acontece por que eu não tenho namorada. Se eu tivesse namorada ela entraria comigo e eu não precisaria entrar com essa desmaiada.” É foda!
Mas é claro que isso não foi nada diante da felicidade do meu amigo e da sua esposa. Gosto muito dos dois e espero que tudo dê certo.
Na verdade eu me sinto muito sozinho. Apesar de ocupar a minha mente com várias atividades e de tentar ser agradável e divertido, eu me sinto só. Não estou nem vendo graça em beber. EU, O ZÉ, NÃO ESTOU VENDO GRAÇA EM BEBER. E me irrito fácil, fico impaciente rápido e minha ansiedade emerge como um animal enfurecido.
Calma, louco eu não estou. Solitário sim, louco não.
E não é solidão de pensamento. É carência afetiva mesmo. Credo, que coisa horrível de se colocar num blog, que coisa mais brega. Mas é o que eu estou precisando falar para mim mesmo. Tenho de terminar com isso. Só depende de mim. Quer dizer, mais ou menos. Todo mundo me acha exigente demais. Tanto comigo quanto com os outros. E essa exigência não me deixa muitas vezes seguir adiante na hora de conhecer alguém. Isso e a minha timidez.
Mas minha solidão está me consumindo de uma forma que eu nunca imaginei. Que coisa mais gay de se dizer.
Mas é triste. Me sinto um imbecil triste e só. Apesar de todas as coisas legais que têm acontecido comigo, eu ainda tenho problemas. Ah como eu sou legal.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

Eu vi o Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei.
Fechando a saga com chave de ouro e colocando uma nova geração de fãs em polvorosa. Muita gente pergunta qual dos três é melhor. Eu gosto dos três. Existem coisas que eu gosto muito no primeiro, acho o segundo um espetáculo, e o terceiro também deixa o queixo cair. Ou seja, os três se completam. O ruim é que acabou. Não há mais filmes do Senhor dos Anéis e o próprio filme deixa a gente pedindo por mais e inconformados com o fim. Quando tudo acaba, os remanecentes não conseguem se esquecer da aventura que passaram. Como voltar ao tédio da vida rotineira depois do que passaram. Me identifiquei com isso assim que voltei do meu reveillon na Serra do Cipó. Tá certo que a casa da gente é insubstituível mas estar cercado de natureza, sem ver tv, sem ver sinais de trânsito, indo a cachoeiras e tomando chuva, jogar xadrez tomando uma breja pra aquecer, paquerar e dar uma sinuca de bico. Foi tudo bom e tranquilo, e fácil. (eu ia colocar um trecho daquela música ..Fácil, extremamente fácil, mas Jota Quest é dose).
Enfim, foi bom demais, sô. Tanto o reveillón quanto o Sinhô das arruela.
Li a biografia do Kurt Cobain, “Mais pesado que o céu”. É um dos livros mais tristes que já li. Chorei com a narração de seu suicídio. Por mais que vc não goste, o ache um imbecil por ter se matado, não o considere um cara genial... uma coisa ninguém nega, ele foi a voz de uma geração. E uma geração que não viu surgir ninguém para substituí-lo. Eu me lembro quando "Smells like teen spirit" estourou, eu devia ter uns 15, 16 anos. Estava aprendendo a ouvir música, a beber e ... outras coisas também. Quando ouvimos a música eu e meus amigos sentimos uma empolgação diferente. Estava tudo estagnado e a gente queria mexer na hipocrisia da sociedade. Juventude. Adolescência. É claro que tudo acabou se tornando mainstream e indo para o chão, mas só pelo fato de ter acontecido, foi duca.
Me lembro quando fiquei sabendo de seu suicídio. Foi um choque ver a que ponto aquele cara havia chegado. O livro explica muita coisa. O vício e o ódio de viver são assustadores. Eis o bilhete de suicídio do Kurt.

Para Boddah
Falando como um simplório experiente que obviamente preferia
ser um efeminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.
Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos,
desde minha primeira introdução a, digamos assim, ética envolvendo
independência e o abraçar de sua comunidade provaram ser verdadeiras.
Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música,
bem como ao ler ou escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras.
Por exemplo, quando estou atrás do palco, as luzes se apagam e o ruído
ensandecido da multidão começa, nada me afeta do jeito que afetava Freddie Mercury,
que costumava amar, se deliciar com o amor e adoração da multidão -
o que é uma coisa que totalmente admiro e invejo. O fato é que não consigo enganar vocês
, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim.
O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que
estou me divertindo 100 porcento. Às vezes acho que eu deveria adicionar um despertador
antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso
(e eu gosto, Deus, acreditem-me, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato
de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles
narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais.
Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando
criança. Em nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as
pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas ainda não consigo
superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bom em todos nós
e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal.
O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus.
Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa,
que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra demais de como eu costumava ser,
cheia de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque
todo mundo é bom e não vai fazer mal a ela. Isto me aterroriza a ponto de eu mal
conseguir funcionar. Não posso suportar a idéia de Frances se tornando o triste,
autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei. Eu tive muito, muito mesmo,
e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos
os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia.
Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho.
Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e
sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste
Não tenho mais a paixão, então lembrem é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Paz,

Amor, Empatia.

Kurt Cobain
Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, vá em frente
, Courtney, por Frances. Pela vida

dela, que vai ser tão mais feliz sem mim. EU TE AMO, EU TE AMO!

Boddah era um amigo imaginário de infância.
É claro que a gente fica louco para ouvir as músicas da banda. Redescobri algumas coisas e descobri outras. In Utero é um discaço e “Pennyroyal tea” a música que quero tocar no violão para amigos ausentes.
Acabei indo ao almoço chato de Natal. A consciência pesou principalmente pelo meu irmão que fora excepcionalmente legal comigo. E depois, ainda vi “ A felicidade não se compra”, clássico natalino do Frank Capra com o James Stewart e chorei. Sou besta mesmo.