sexta-feira, abril 26, 2002

Energia é uma coisa estranha
Pois ontem, na minha ânsia de não estudar, não ir para casa, telefonei para o meu amigo a fim de ver minha afilhada de um ano, Maria Isabel. Não tinha ninguém em casa. Frustrado, já antevia meu destino caseiro. Toca o telefone, uns cinco minutos para eu me mandar, e é o Older. – Me espera aí que tô passando pra gente conversar.
Qué isso. Inacreditável. Um cara que não vejo há tempos, me liga do nada.
Fomos tomar uma e relembrar os anos de escola, falar de música e coisas legais.
Foi com esse cara que eu tomei meu primeiro porre. Ele é um dos culpados por eu fazer jornalismo, por eu curtir poesia, por ouvir várias bandas bacanas. Ele é aquele amigo que você não vê durante um tempo, mas, quando encontra, parece que foi ontem a última vez que conversaram. Daquelas pessoas que inspiram você a fazer o que der na telha. A ter confiança em si mesmo. Parece uma coisa meio gay, mas não é. A gente estudou junto. E ficamos amigos. Amigos de verdade. Ele se casou com a namorada do colégio. Ela também era da nossa sala. E eu fui padrinho de casamento dos dois. Eu sei, eu sei. Que idéia a desse povo me chamar para ser padrinho?!? Mas podem ficar tranquilos. Minha quota já se esgotou. Não serei padrinho de mais ninguém (pelo menos, não pretendo ser).
E eles têm um filho que um dia, se deus quiser, vai ser roqueiro igual a gente foi um dia. Quer dizer, ainda curtimos rockn’roll mas não é do mesmo jeito. Antes, não tínhamos responsabilidade, não estávamos nem aí pra porra nenhuma. Tínhamos atitude. Hoje, a gente tem de trabalhar, e se preocupar com dívidas e outras coisas. Mesmo que tenha sido por pouco tempo, pelo menos um dia eu fui assim, e espero que o filho dele também passe por isso, nem que seja por pouco tempo. Porra, foi a melhor época da minha vida. E nós bebíamos demais. Nunca mais bebi tanto. E a gente tem aquela ânsia de conhecer tudo do mundo. Que merda é ficar adulto.
E a gente falava sobre o Arnaldo Antunes e, logo em seguida, no bar, tocava uma música dos Titãs. E falamos sobre o Ira, e tocou uma música do Ira. E falamos do Red Hot Chili Peppers e tocou uma música dos caras. Aí eu caí pra trás. – Qué isso!!! Energia é foda!
Nem vi, mas ficamos mais de cinco horas conversando.
Valeu irmão!

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