quarta-feira, março 27, 2002

Cara, quem consegue ficar mal quando se tem amizades verdadeiras?
Às vezes eu tenho de tomar uns tabefes na testa. Afinal, sou um débio mental.
A Sá me mandou esse texto da Clarice Lispector.

"Há uma hora em que se deve esquecer a própria compreensão humana e tomar um partido, mesmo errado, pela vítima, e um partido, mesmo errado, contra o inimigo. E tornar-se primário a ponto de dividir as pessoas em boas e más. A hora da sobrevivência é aquela em que a crueldade de quem é vítima é permitida, a crueldade e a revolta. E não compreender os outros é que é certo."

Estou tomando uma cruel antipatia pelo inimigo. E estou odiando cada segundo. Mas não há controle, sinceramente. Fazer o quê? Só vem aumentando exponencialmente. Maior, feia, terrível,. Pior que o Groo.
Então me lembrei dessa música do Peter Gabriel. Don’t Give Up. Traduzi uma parte. Fica mais fácil.

“nesta orgulhosa terra nós crescemos fortes
nós queríamos a vida por inteira
eu pensava em lutar, pensava em ganhar
nunca pensei que podia falhar

nenhuma luta restava ou assim parecia
eu sou um homem cujo todos sonhos foram deserdados
eu mudei minha face, mudei o meu nome
mas ninguém quer você quando você perde

Não desista, pois você tem amigos
Não desista, você não foi derrotado ainda
Não desista, eu sei que você pode fazer melhor”


A última estrofe é cantada de forma belíssima pela Kate Bush, uma cantora que sumiu.
O lance é que não confio, ou pouco confio. Claro, confio em algumas pessoas. Mas as fico meio que vigiando, esperando elas aprontarem alguma.
E é irritante. Mas como disse, não tenho controle.
Simplesmente, às vezes acho que estou passando pelos piores dias da minha vida.
Daí, eles parecem ser os melhores, pois algumas pessoas os fazem ficar melhor.
E não há gratidão no mundo que consiga esprimir o que sinto por elas.

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