Melancolia. Como uma rua de infância que um dia foi cheia, e hoje, envelhece na chuva. E ninguém se lembra. Pois não importa mais. Com os sentidos à flor da pele, eu entrego minha culpa e me sinto um merda. Um sem nome.
E fumo com um ardor de quem espera algo que não vem ou virá. De quem um dia foi feliz com um raiar do sol. E encho o pulmão de fumaça em uma redenção, como a bênção sublime. Olhos embotados de café. Sonolento e morto me lembro daquele momento em que ela me experimentava com a língua e me recebia de pernas abertas. Eu precisava dela como uma droga injetada em minha pele. Era saliva, e suor, e gozo trêmulo. Dependência mais rejeição. Mais arrependimento. E ninguém se importa mais.
Se torna um passado momentâneo e desimportante, como uma gota de chuva que cai dentre as milhões, naquela rua esquecida. Pura melancolia.
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