VIAGEM ACÓLITA
CONTINUAÇÃO
Adentrando a casa, a mãe do Touro e a filha dele se apresentaram. A filha dele mora com a mãe, ex namorada dele. Do nada, o véio pede para o Touro tocar piano. E lá tinha um piano num canto da sala. O cara sentou e começou a tocá-lo. Bizarro. Me senti em um episódio de além da imaginação. Aquela casa estranha, aquela gente estranha, aquela música estranha. Mas nada havia me preparado para o que reservava o outro canto da sala. Um órgão enorme. O Touro tocou o órgão também. E eu me sentia desconfortavelmente entorpecido com aquilo tudo. Queria estar longe dali. Depois disso, o véio quis nos mostrar a coleção de vídeos dele. Eu e meu primo sentamos no sofá , o Touro e o Moreto sentaram no outro e a gente começou a ver o filme “Coração de Trovão” gravado pelo SBT. E a fome batia forte. Sem graça, com fome, desconfortável no sofazinho sem vergonha e a filhinha do Cavalo, era uma cavalinha. Aprontando, pintando o sete, para a alegria do seu pai.
Estou falando assim, mas na verdade eu me simpatizei pelos caras. Eles tentavam deixar a gente à vontade e tudo. Mas como eu ia ficar à vontade com aqueles caras fortões, prontos para me matar se soubessem o quão sarcástico sou. Suava frio, isso sim. Lembrava do Zubreu: -- Se o Zubreu estivesse aqui ele ia achar que esses caras tavam querendo enrabar ele. Ehehehehehe
Jantamos, tomei banho, troquei de roupa, afinal a gente ia conhecer os agitos de Ouro Branco. Os caras passavam gel no cabelo, blazer, sapato, e eu com uma roupa velha. Onde eu vim parar?
Saímos no carro do Cavalo, ouvindo Evanescence no talo. Imaginem como me senti. AAAAAAAAAAARRRRRRRRRRGGGGGGGGGGGHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Eu pedi um Rage Against e o cara não tinha.
Aí paramos na farmácia para os caras comprarem uns “remedinhos”. Eles nos deram umas cápsulas parecendo com as de guaraná para a gente tomar. Tomamos com cerveja em cima. O Moreto me explicou que era tipo um redutor de gordura natural que, com álcool fazia tudo ficar mais interessante. Beleza tomei duas, não senti nada e continuei bebendo. Daí eles pararam o carro tiraram um outro remédio, seringas e aplicaram na veia. Eu não quis. Era um lance de esportista, tipo de coisa que faz atletas dançarem em exame anti-doping. – É só pra gente ficar animado a noite toda. Não é forte como drogas e tal, só dá um pique extra. Eu não quis, esse negócio de agulha não é comigo.
Fomos para o lugar. Muitas moças bonitas entrando. Ficamos na porta um tempaço conversando e tomando umas.
Era uma boate. Boate de interior. Entramos e os caras ficaram dançando aquelas House musics que tocam na Jovem Pan. Uma merda.
CONTINUA...
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