quarta-feira, novembro 12, 2003


Estou trabalhando no bairro Santo Antônio. Descobri anteontem onde ficava a Biblioteca Infanto-Juvenil de BH. Lá tem uma gibiteca com vários quadrinhos excelentes. Pirei!
Como eu sou fascinado por Sandman e li muito pouco da saga, fui direto ao seu encalço. Várias revistas de Sandman estão lá à disposição de quem quiser ler.
Meu horário de almoço é de 1 hora. Vou pra lá correndo para ler. Estou lendo a segunda saga “A casa de bonecas”, pois a primeira, “Prelúdios e Noturnos” eu tenho. Como tem muita gente que não sabe do que estou falando, eu peguei uns textos na net e uns desenhos para vcs conhecerem. Vale a pena ler, pois Sandman ultrapassa o conceito de quadrinhos e literatura. É uma nova mitologia. Aliás, basta dar uma busca na internet e vc acha até mestrados sobre o Mestre dos sonhos.
Sandman, é uma das mais fascinantes histórias já publicadas pela DC Comics, ganhando fãs fervorosos e entusiasmados ao redor de todo o mundo. Alternando momentos de pura fantasia e poesia com outros de um terror indescritível, Sandman ainda tinha o acréscimo de citar diversas mitologias, clássicos da literatura (em especial Shakespeare) e do cinema, trechos de músicas, tudo sem parecer enfadonha ou intelectualóide.
A série conta a história de Lorde Morfeu, regente do Sonhar, e um dos sete Perpétuos. Os Perpétuos são seres que não são deuses nem humanos, nem mesmo anjos, são entidades místicas que existem desde que o primeiro ser consciente surgiu no Universo e permanecerão aqui até que o último ser consciente pereça. Mesmo que não reconheçamos, todos nós, inconscientemente, sabemos que esses irmãos existem. São eles: Destino (Destiny), Morte ou Desencarnação (Death), Sonho ou Devaneio (Dream), Destruição (Destruction), Desejo (Desire), Desespero (Despair) e Delírio (Delirium). Morfeu é um dos diversos nomes adotados pelo Sonho, assim como Sandman (Homem da Areia, mais conhecido no Brasil como João Pestana, responsável por jogar areia nos olhos das crianças para que elas durmam).
Na realidade, Sandman não é uma criação de Neil Gaiman, o escritor da série, o personagem surgiu na década de 30 (a Era de Ouro dos quadrinhos) e era um detetive chamado Wesley Dodds, que usava uma arma de gás para colocar os bandidos para dormir.
A saga de Morfeu começa com um velho bruxo tentando capturar a Morte e por acidente acaba capturando seu irmão mais novo, o Sonho. Isso aconteceu no começo do século passado. Durante anos, o Sandman esteve preso na mansão do feiticeiro, até que conseguiu se libertar. No primeiro arco de histórias, ele parte em busca de objetos mágicos que por direito lhe pertencem, e após reuní-los começa a árdua tarefa de reconstruir seu reino, que entrou em decadência durante sua ausência. Mas as coisas não param aí, aos poucos somos apresentados a importantes personagens, como os já citados irmãos de Morfeu, além de Caim e Abel, o Corvo Mathew, Eva, Titânia, Lúcifer, Shakeaspeare, Hob Glading, entre outros. Pequenos acontecimentos plantados no começo da série só mostraram sua importância muitas edições depois e fatos importantes do passado de Morfeu (como ser pai de Orfeu, aquele famoso cantor grego que desceu aos Infernos para buscar a esposa morta) são cruciais no desenrolar da história.
E se não bastasse a ousadia nos textos, Gaiman ainda teve a coragem de encerrar a série no auge do sucesso, com o brilhante argumento de que uma boa história tem começo, meio e fim, e um bom escritor sabe qual a hora de parar.
A série de Sandman é uma obra de arte sem igual, que fala, essencialmente, sobre arrependimento, perdão e redenção. Se desconsiderarmos o fato de Sonho ser uma espécie de Deus, teremos uma história contando como uma pessoa egoísta se tornou alguém bom e misericordioso.

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