terça-feira, janeiro 22, 2002

-Puxa vida!!! Quanta violência!!!
-Tem de ter é prisão perpétua! É pena de morte!
-Pôr mais polícia nas ruas.
-Isso não pode ficar assim!
Há quanto tempo ouvimos dizer que o governo, seja federal ou estadual, se compromete com a diminuição efetiva da violência em nossas cidades?
Pessoas que convivem diariamente com o problema, fazem passeatas pela paz, protestam tentando serem ouvidas. Nunca adiantou porra nenhuma. Nas periferias, o clima de guerra já perdura há anos e todo mundo tá careca de saber que parte dos criminosos pertence às polícias.
Agora a banalização dos sequestros e assassinatos está se dando em condomínios, com as autoridades e patrões, no mais “rico” estado do país. Infelizmente de forma trágica, os nossos dirigentes começam a ver o que ocorre. Foi preciso que a violência batesse em suas portas para ser ouvida. Mas a estupidez é tamanha que chega-se ao cúmulo de querer proibir a venda de celular pré-pago, um dos poucos luxos que a população menos abastada consegue ter, para combater sequestros, como se celular fosse algo inventado antes de existir sequestrador.
Fala-se em aumentar o contingente policial. Ora, no momento em que isso for feito, a violência irá aumentar. Não sejamos ingênuos.
As nossas prisões estão superlotadas, com os condenados vivendo em condições subumanas, saindo (quando saem)piores que entraram.
O que me incomoda é que a mídia ainda fica com uma campanha contra a violência sem realmente discutir soluções. Hipocritamente dá ouvidos a balelas. Perdida em campo, sai às ruas para saber a opinião das pessoas, como se não soubesse, esperando algum deles dizer: “eu concordo com a violência e com os criminosos”.
-Passamos do limite.
Que limite? O limite dos condomínios com milícias e câmeras de vigília? Os limites dos bolsões de pobreza e descaso? Que limite é esse?
Alguns discursos me lembram o presidente George Bush depois do dia 11 de setembro, querendo caçar os culpados, quando, na verdade, é a própria política externa norte-americana a genitora de terroristas e inimigos de seu país. A política externa foi mudada? Alguém comentou sobre isso no congresso americano? Os que comentam na mídia americana são rechaçados e chamados de anti-nacionalistas. Mas isso já é outra história.
Essa violência toda não irá acabar de uma hora para outra. Se há oito anos atrás, quando o nosso querido Presidente iniciou o seu mandato, ele tivesse tido peito para fazer uma política social eficaz, a violência hoje, provavelmente, não seria tão absurda. É esperar para ver se algo irá mudar daqui pra frente.
É muito chato eu ficar falando sobre esse assunto. É que fiquei irritado, mais uma vez.

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