sexta-feira, julho 29, 2005



Estréia hoje nos cinemas brasileiros o filme Sin City de Frank Miller e Robert Rodrigues. Eu já vi o filme e vou aqui tentar convencê-los a fazer o mesmo. Na verdade, eu estou a fim de falar sobre isso porque me considero entendido em quadrinhos e, principalmente, Sin City.
Como vocês sabem, leio quadrinhos praticamente desde que nasci. E leio quadrinhos de Frank Miller desde os oito anos quando descobri o Demolidor. Eu estava começando a ler histórias do Conan e em uma revista havia a história do Homem sem medo enfrentando o Rei do Crime. Aquela aventura me surpreendeu. O desenhista era brilhante. A história parecia filme com cenas quadro a quadro. Fiquei fã e comecei a ler o Demolidor escrito e desenhado por Miller. Uma das marcas dos quadrinhos é sua linguagem cinematográfica que ele explora magistralmente. Vieram outras revistas e outros personagens que Miller desenhou. Quando o cara pôs a mão no Batman, houve um divisor de águas na década de oitenta. Ele escreveu e desenhou o Cavaleiro das trevas, uma das melhores revistas em quadrinhos de todos os tempos. A revista que mais vendeu na época (não sei qual quadrinho é recordista em vendas, mas sei que esta foi a que mais vendeu até então) mostrava um Batman velho em uma Gothan City sombria e violenta dominada por gangs.
Nesta revista, o Batman mata o coringa e enfrenta o Superhomem. Outra característica de Miller é a linguagem em 1ª pessoa. Lendo Batman você entra na mente do personagem. É clássica a página que ele aleija um cara e pensa: existem três maneiras de desarmá-lo. Duas matam. A última aleija.
Eu poderia falar muito mais sobre Miller mas vamos a Sin City.
Sin City é a Gothan City de Miller, cidade inundada por corruptos e inferninhos. Gente podre e apodrecida pela sociedade onde alguns honrados tentam se manter afastados e lutam por manter a cidade um lugar mais são.
Ele ainda hoje utiliza a linguagem cinematográfica e as vozes em primeira pessoa. O filme nada mais é que a mais crua transposição do que Miller escreveu para o cinema. Está tudo pronto lá nos quadrinhos. Robert Rodriguez é fã de Miller há anos e teve o bom senso de não mexer em nada nessa adaptação. O material já estava pronto, era só por em película. Ou deveria dizer, em bytes?
O filme foi filmado digitalmente com os atores em fundo azul. Os cenários foram colados via computador em pós produção. O resultado é de babar. Não espere grandes interpretações. O melhor do filme é sua narrativa de ação ininterrupta. A única coisa que me incomodou no filme é sua curta duração. A sensação nos quadrinhos é mais, digamos confortável que no filme. A história do grandalhão Marv (Mickey Rourke) é grande e tenebrosa. No filme ela ocupa um terço do tempo e é passada rapidamente. Ah, é bom dizer que o filme é estremamente violento. Mas não se preocupe em ver sangue. Ele não aparece em sua cor vermelha pois o filme é em preto e branco. E o Quentim Tarantino dirige uma pequena cena do Dwight (Clive Owen) dirigindo o carro conversando com um morto ao lado. E o morto responde. Típica coisa de quadrinhos.

Um comentário:

Rodrigo Ávila disse...

Achei ducarai demais Zé. Na minha opinião o melhor filme de todos os tempos, entrou pra história com certeza. Foda, foda, foda.
Fui na estréia.
Abração!
P.S. Cê sumiu hein caboclo?
Abraços!!!