A situação tá tão braba que até em show de graça eu sou barrado.
Mais uma para o hall of fame das sutilezas de minha vida.
Bem, estava eu no sábado à tarde em casa, me recobrando de uma ressaquinha de leve (no dia anterior fui para um belo boteco encher a cara e encontrar com os amigos) quando resolvo ligar para a D. Ana já que ela tinha me pedido para fazê-lo. Sabia que ela estava a fim de ir ao show do Lenine. Eu nem passar na porta iria. Mas eis que, mal sabia eu dos planos de minha colega: - vamos no show do Tom Zé, é de graça. Quer dizer, a entrada é um quilo de alimento-não perecível.- Vamos!!!
Eu não estava sabendo de nada. No boteco, na sexta, ninguém falou nada. Ninguém estava sabendo, e era melhor continuar assim, quanto menos gente souber melhor. Ehehehehe
-Não tem que pegar o ingresso antes?
-Pega na hora. O show começa às nove, que tal encontrar lá na porta às oito?
Tudo combinado, passei no supermercado, comprei um kg de açúcar e fui para o lugar.
Só de chegar há uns cinco quarteirões já tinha dado para sentir o drama. Uma galera ia na mesma direção que eu com sacos de farinha, feijão, macarrão e arroz. Fudeu. Pior, tinha gente vindo na direção contrária já informando: - Já esgotou!! Que maravilha!
Fui ver o estado do lugar e parecia que era dia de clássico no Mineirão. Tava cheio. E o povo na fila querendo pegar ingressos inexistentes. Fiquei esperando a D. Ana chegar para ver o que faríamos. Foi ela chegar e os porteiros do lugar liberarem os portões. A gente estava saindo quando uma muvuca se formou. – Liberaram!!!Empurra, empurra e entramos. Só que o teatro fica dentro de uma escola. A gente tinha de andar até chegar no teatro propriamente dito. Fomos tranqüilos, conversando. Entregamos os alimentos, chegamos no corredor do teatro, tranqüilos, uma fila grande mas devagar, beleza. Quando a gente estava no meio do corredor, um funcionário fecha uma das portas, eu e a Ana nos olhamos: -Fudeu!!!!!!
Tava entrando ainda, -vamos lá. Quando a gente chega para entrar, o funcionário bate com a outra porta na nossa cara dizendo que não tinha mais jeito. Na nossa cara. Éramos os próximos. Olhamos para trás e tinha uma zaga querendo entrar. E a gente ficou lá. E o show começou. Que merda!
Tentamos entrar por outro lugar e fomos acompanhados por outros que também tentavam. E um desses outros era o produtor do show que não conseguiu entrar. O jeito foi ir tomar cerveja. Por acaso, encontramos com Madame Rosana que iria encontrar com a gente no show e foi parar no mesmo bar.
O foda é que, horas depois, surgiu um artista medíocre, vendendo cartãozinho, que veio falar merda: -nó aí, fui no show do TomZé e foi demais, aí. Sacou? Vim lá de longe, aí, podescrê. Fui entrando lá, e aí, só...Dando papo para o imbecil, a Ana perguntou: como vc entrou?
Resposta imbecil do milênio: Comi o cérebro de alguém e entrei, tá ligado?.
AAAAAAARRRRRRRRRGGGGGGGGGGGHHHHHHHH, isso foi o fim.
Ignorei o desmiolado e tentei me tranqüilizar com mais essa.
Até o próximo show, Tom Zé. Fazer o quê?!?!?!
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